Depoimento do colega Fernando Arthur Tollendal Pacheco

A Confederação Nacional dos Bancários e Economiários foi fundada por um grupo de bancários, principalmente do Rio de Janeiro, do qual eu fiz parte. Eu era então dirigente do falecido “Movimento pró Sassebb”, de âmbito nacional; da UNEBB (União Nacional dos Empregados do Banco do Brasil) e integrante da Comissão Nacional dos Empregados do Banco do Brasil – todas elas entidades rigorosamente apolíticas. A hegemonia dos sindicatos era mantida pelo antigo Partido Comunista, orientado e financiado pela hoje extinta União Sovietica. Houve a intervenção militar em 1964, principalmente porque a Contec se metera em assuntos políticos, dos quais as entidades sindicais devem manter-se afastadas (as chamadas “reformas” de João Goulart).

Depois da prolongada interferência militar, a Confederação foi finalmente devolvida, houve a primeira eleição livre e fiz parte da primeira diretoria assim escolhida. Fui enviado para Brasília, para instalar a representação local e o departamento jurídico, com o Dr. Jose Torres das Neves, meu grande amigo até hoje e que foi durante décadas o consultor jurídico da Contec. Ele milita até hoje no Tribunal Superior do Trabalho e é com justiça condiderado um dos mais experientes advogados trabalhistas do País.

Tenho o maior prazer em relembrar esses fatos, ocorridos num dos períodos mais conturbados de nossa história e que, infelizmente, vêm sendo deliberadamente deturpados pelo PT e pela CUT, que pretendem passar-se pelos iniciadores do movimento sindical, que na verdade foi iniciado pelos anarquistas italianos no início do Século XX. Aliás, é bom lembrar que nosso trabalhismo esteve sempre muito ligado à Itália: a Codificação das Leis do Trabalho (CLT), que hoje os norte-americanos procuram destruir, foi inspirada na “Carta Del Lavoro” de Benito Mussolini, elaborada pelo Ministro do Trabalho de Getúlio Dornelles Vargas (Lindolfo Collor, pai do lamentável Fernando Collor de Melo). Pena que já não haja gente como a de antigamente.