Os déficits  de 2014 e 2015 tiveram duas origens. Elevação da Reserva Matemática acima do esperado e redução do Ativo.

Provocam elevação normal e esperada da Reserva Matemática (RM) a elevação dos benefícios a conceder aos participantes em atividade porque a cada ano eleva uma unidade na expressão “t/360” da fórmula de cálculo do benefício, uma vez que “t” representa o número de meses de contribuição.

Provocam elevação da RM acima do esperado:

  • Aumento real (acima da inflação) dos salários dos participantes da ativa, que são bem vindos porque melhoram a renda deles.
  • Mudanças de critério de cálculo do salário de participação, como ocorreu com a elevação do teto de 75% para 90% em anos anteriores.

Em 2015 acentuou-se a queda do valor dos Ativos verificada em 2014. O IPCA, que corrige os investimentos em renda fixa, ficou abaixo do INPC, que reajusta os benefícios concedidos e portanto esses ativos cresceram menos em valores nominais.

Naquele exercício não houve venda de ativos por valores abaixo dos registrados contabilmente e sim queda em suas cotações. Investimentos feitos há muitos anos e que proporcionaram alta rentabilidade a ponto de permitir a suspensão de contribuições e a concessão do Benefício Especial Temporário (BET) sofreram fortíssima queda de suas cotações, provocadas pelas dificuldades enfrentadas pela economia mundial somadas a séria crise de confiança interna.

Esse cenário não é segredo para ninguém.  Sem confiança no que vai ocorrer não há investimentos, crescimento do PIB, da renda e do nível de emprego. Inflação sem controle retrai a economia. Instalou-se a recessão.

Essa crise impactou negativamente todos os investimentos. Os títulos públicos marcados a mercado – aqueles que não seriam mantidos em carteira até seus vencimentos – sofreram queda porque o Tesouro, premido pela necessidade de recursos, colocou novos títulos com taxas de juros mais elevadas, o que desvaloriza os títulos com taxas menores.

Os aluguéis sofreram queda, assim como a rentabilidade dos investimentos em shopping, e outros mais.

Perspectivas

A economia mundial, graças a ajustes que promoveu já em 2008, ao contrário do Brasil, já dá mostras de iniciar uma recuperação, ainda que lenta. Quanto à economia interna, afetada diretamente pela crise política e de confiança, é razoável ter esperanças de que consiga corrigir erros cometidos e possa começar o processo de recuperação. Quanto ao ritmo e ao tempo não se pode precisar.

É um fator importante a se considerar o fato de que o Plano 1 tem recursos para pagar seus compromissos nos próximos anos sem necessidade de se desfazer com prejuízo de investimentos que estão com preços abaixo do normal.

Diante desse cenário, a gestão dos investimentos requer extrema capacidade, muito estudo e controle para não serem tomadas medidas açodadas que podem realizar prejuízos que por ora são meramente contábeis. E boas oportunidades, chamadas de janelas, não podem ser desperdiçadas quando indicarem boas condições para alienação de ativos, principalmente de renda variável.

No próximo artigo abordaremos o estágio em que se encontra o Plano 1.