Após cuidadosa análise das informações disponibilizadas e atenta leitura dos comentários (abaixo transcritos) do diretor William Mendes, o Movimento Semente da União – MSU, entende que a proposta final apresentada pelo BB para a CASSI não deve ser interpretada como solução definitiva, capaz de assegurar sua perenidade prestando a assistência a que está obrigada. São medidas intermediárias necessárias para que sejam encontradas e adotadas as definitivas, o que demanda um determinado tempo, estimado para dez/2019.

Até lá o Plano Associados necessita de recursos adicionais temporários para duas finalidades distintas:

a) suprir o déficit de custeio de modo a continuar operando e pagando em dia os compromissos existentes;
b) investimentos no desenvolvimento de projetos, com apoio de empresa especializada de consultoria, para análise e revisão de processos e sistemas com vistas à racionalização e redução de custos.

Uma vez concluído o projeto global e alcançada a otimização – melhor assistência ao menor custo possível – estarão criadas as condições para o passo seguinte, que é a definição do modelo de custeio capaz de assegurar a perenidade ao plano.

Ainda que o custo seja reduzido ao mínimo possível a ponto de ficar aquém da receita, o que é pouquíssimo provável, a sua evolução continuará sendo ditada pela inflação da medicina, que é e continuará sendo muito superior à inflação geral que reajusta os salários e, por via de consequência, a receita do plano. Dessa forma, em algum momento o plano voltaria a apresentar déficit mesmo que o custo se mantenha no menor patamar possível.

Consequentemente, ao final do projeto, previsto para dezembro de 2019, será necessário alterar o modelo de custeio se quisermos assegurar a perenidade do plano. Do contrário, a cada curto espaço de tempo será necessário aumentar os percentuais de contribuição. A realidade nos mostra que isso só acontece quando o déficit atinge ponto crítico e as consequências estamos cansados de ver, como agora: ameaças de redução da assistência, demora e dificuldades para autorizações, descredenciamentos e tudo o mais.

Abaixo comentários do Diretor William a respeito do reajuste da categoria ser os 7% para refletirmos:

Olá companheiros(as), amigos(as) e colegas do Banco do Brasil,

Nossas semanas de trabalho são sempre intensas para cumprirmos nossa missão de gerir a maior autogestão em saúde do país, a Cassi, e para defender os interesses dos associados numa entidade que está em negociações entre os seus patrocinadores (BB e Associados) para alcançar o equilíbrio econômico-financeiro e a sustentabilidade no plano de saúde dos trabalhadores.

Como Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi estou, em conjunto com nossas equipes técnicas, estudando a proposta apresentada pelo patrocinador Banco do Brasil às entidades representativas, proposta feita no último dia 5 de setembro.

Minha obrigação de ofício e meu compromisso político com os associados é ser transparente na avaliação da proposta, dizer os pontos positivos e os negativos e apresentar sugestões técnicas e políticas para fortalecer e proteger a Cassi, os associados e a comunidade BB como um todo, porque uma Cassi forte é algo “Bom Pra Todos”.

A Caixa de Assistência e as conquistas históricas na área da saúde por parte dos funcionários do Banco do Brasil são muito dependentes da campanha salarial da categoria bancária em sua data base, setembro. Principalmente o Plano de Associados, cuja receita operacional é baseada na remuneração da ativa e dos aposentados e pensionistas. Vejam vocês o dado que apresento abaixo.

Os bancários estão em greve desde o dia 6 de setembro lutando por aumento real de salário e um conjunto de direitos distribuídos por vários eixos temáticos. Passei parte importante de minha vida à frente desse processo de lutas, representando meus colegas bancários e uma centena de sindicatos. Os trabalhadores do setor que mais lucra no país, independente de crises políticas e econômicas, estão reivindicando dos bancos a reposição da inflação do período mais aumento real. A inflação da data base está projetada em 9,62%.

Pasmem vocês, mesmo com um lucro de cerca de 30 bilhões no primeiro semestre, os bancos não ofereceram sequer a inflação em sua proposta inicial (6% + abono). Após o início da greve, os banqueiros propuseram 7% + abono de 3.300 reais. Essa proposta e essa tentativa de voltar à famigerada política salarial dos anos noventa, sem reposição de inflação e ganho real e com “abonos”, é uma tragédia para a nossa Caixa de Assistência, a Cassi, que tem sua perna de receita baseada na remuneração dos bancários.

Se a proposta dos banqueiros de 7% + abono de 3.300 fosse a proposta final desta data base, com uma inflação de 9,62%, a Cassi deixaria de receber em sua perna de receita operacional, para o resto da vida, um montante de mais ou menos 19 milhões de reais por ano. Já imaginaram o efeito disso num contexto em que estamos justamente discutindo o déficit no Plano de Associados?

Nem bem avançamos em uma proposta, que está sendo avaliada pelas entidades sindicais e associativas, proposta que traz uma perspectiva de nova receita extraordinária por 3 anos, e os bancos já tentam derrotar os bancários não repondo sequer a inflação do período.

Só para se ter uma ideia, a Cassi deixaria de arrecadar no Plano de Associados cerca de 55 milhões durante o prazo estipulado pela proposta do patrocinador Banco do Brasil, ou seja, até dezembro de 2019.

Aí fica difícil de se buscar qualquer tentativa de sustentabilidade e de avançar no Modelo de Atenção Integral e Estratégia Saúde da Família (ESF), que é a melhor perspectiva de manutenção dos direitos solidários em saúde e equilíbrio do Plano, porque cuida dos participantes com promoção de saúde e prevenção de doenças, monitora quem já tem algum problema de saúde e usa de forma mais racional os recursos arrecadados dos associados.

Como gestor eleito e representante dos trabalhadores, desejo muito que a campanha salarial dos bancários alcance êxito em conseguir aumento real de salário. Índice abaixo da inflação eu não quero nem pensar. Seria uma tragédia para a Cassi e consequentemente para os bancários e seus dependentes.

Em relação à nossa agenda de trabalho, nesta semana estaremos concentrados em Brasília. Só nesta segunda e terça, já trabalhamos as tradicionais 30 horas para leitura de pauta e deliberações da Diretoria Executiva. Estou produzindo os estudos necessários para nos posicionarmos em relação à proposta do Banco do Brasil para a Cassi.

Abraços aos meus colegas bancários e boa luta, desejo que a campanha salarial seja vitoriosa.

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (mandato 2014/18)